
Uma escada no ar, que dá para grades de uma prisão
traduzir o olhar que pousa sem ousar revelação.

Uma escada no ar, que dá para grades de uma prisão
traduzir o olhar que pousa sem ousar revelação.
Dinheiro, doença, saúde, emprego, telefonista
quais são os dados deste momento?
brincar de viver é lançar os dados no cimento
outeiro, presença, alaúde, desapego, leiturista
quais são as datas deste incremento?

As palavras são couros, colas e tesouras de outeiro
flores, fel, adubo, terra, cortes e recortes de solas
Na soleira da porta, um homem velho de botas longas
Era meu tio, morto (pergunta ou afirmação) na noite anterior, inteiro
A eternidade estava presente em ouro, prata, delongas
roupas no desterro de vontades tolas, horto, molas
Assim, migrei do solo para o nós, para trás as mortes

VENDE-SE OU ALUGA-SE

Na verdade, existe agora
a alcunha da mentira?
Herdade, chiste, hora, vergonha, inteira
Idade, viste, embora, cegonha, videira
Dado, xisto, senhora, ergo sum, estira
Adão, penhor, ergo em mim, esteira
me tiro por ora.

Nas notícias e em casa,
menino na rua e nos eus
Estraçalhados, extirpados, meu Deus!
A violência expôs fratura dorida, sem asa
Famílias sofrem quebra em ais
mal-estares, enraivecida
Do nosso peito, alivia por favor a tristeza de casa

Era uma longa pedra escura
viscosa, que não queria descer
O rio a esperava e chegou ao mar
Era sua longa e rocha procura
Meu filho, seu lugar é aqui
O jardim se iluminou dourado
em silêncio, cochilei a seus pés,
acolhido, calmo, sem viés

É sal
idade, oh saldade
Não sabia como dói
Parto, pedras no rim
De doce, só o amor
Mor, morte, maldoror
Por que a gente gosta tanto de alguém?
Ou Paris fica neste planeta?
Mãe, Iemanjá, agora, já
um beijo, abraço, cheiro de mato,
do neto que chegou para nos chamar

Duas luas foram intensas para mim. Ou para todo auditório
Uns ficaram muito loucos, jus
tá mente, outros tiveram desarranjos intestinais, digestórios
Só me estabilizei quando conectado ao festival das cores hindus.
Lendo o Japji, em sânscrito, às vezes tropeçando nas sílabas sem massa
quem é este eu que observa o dia nascer, a lua que se vai, a luta que recomeça?

Esta dor polui rios internos
Cavernas secam e gotejam fel
Não havia compromisso ou omissa a mágoa quer calar o amargor?
Riachos dos mais inferiores seres se aproximavam como tsunami
O ataque se deu e mordeu duas vítimas ou três?
O que era para ser presente se fez passado, ruínas, abandono
Resta um gesto para mudar? Ou morta está a construção?
Se houve uma vez, haverá outras? Alertas, fiquemos.
