Profissão: sapateiro ou jardineiro?

As palavras são couros, colas e tesouras de outeiro

flores, fel, adubo, terra, cortes e recortes de solas

Na soleira da porta, vi um homem velho de botas longas

Era meu tio, morto (pergunta ou afirmação) na noite anterior, inteiro

A eternidade estava presente em ouro, prata,

roupas no desterro de vontades tolas, horto

Assim, migrei do solo para o nós, para trás as mortes

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A Lua bate à porta

Duas luas foram intensas para mim. Ou para todo auditório

Uns ficaram muito loucos, jus

tá mente, outros tiveram desarranjos intestinais, digestórios

Só me estabilizei quando conectado ao festival das cores hindus.

Lendo o Japji, em sânscrito, às vezes tropeçando nas sílabas sem massa

quem é este eu que observa o dia nascer, a lua que se vai, a luta que recomeça?

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Má água ou mágoa

Esta dor polui rios internos

Cavernas secam e gotejam fel

Não havia compromisso ou omissa a mágoa quer calar o amargor?

Riachos dos mais inferiores seres se aproximavam como tsunami

O ataque se deu e mordeu duas vítimas ou três?

O que era para ser presente se fez passado, ruínas, abandono

Resta um gesto para mudar? Ou morta está a construção?

Se houve uma vez, haverá outras? Alertas, fiquemos.

 

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